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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Escritores Brasileiros

De modo geral o Brasil é privilegiado pelo grande número de bons escritores. Porém existem alguns que caem na graça do público por seus escritos interessante e inteligentemente arquitetados. Esses conquistam o destaque de favoritos, merecendo, portanto ser lidos e recomendados. Nesta página, não mencionaremos todos, mas escolheremos alguns escritores de diferente épocas como representantes expressivos da literatura brasileira. Iniciaremos pelos mais recentes e concluíresmos a página com aquele que é considerado, por alguns críticos literários, o maior vulto da literatura Brasileira: Machado de Assis.


Margarete Solange 

Escritora brasileira nascida em Natal, no Rio Grande do Norte, escreve poesia, crônicas, contos e romances. É bem característico do seu estilo misturar ao trágico ao cômico, surpreendo o leitor com algo que poderia ter um desfecho diferente. Conforme opinião do prefaciador José Roberto Alves Barbosa “a autora é uma mulher de posicionamento crítico, e, por isso, em determinados momentos, como no conto Filhos da Pobreza, será possível que o riso dê lugar ao pranto, ou, quem sabe, à indignação. Os contos, em sua diversidade de temas, formam um mosaico da vida, estão repletos de múltiplos olhares, textos e intertextos, discursos e contradiscursos. [...] admira-me a capacidade que a autora mostra de trilhar entre um gênero e outro, se é que é possível fazer distinção entre gêneros, já que todos eles estão imbricados. Cada narrativa está repleta de casos que vão do trágico ao cômico num piscar de olhos.” (1)

Entre os contos mais lidos e citados dessa autora estão “Na vida e na morte”, “Filhos da Pobreza”, “O perdão de Sofia” e o polêmico “O outro homem” conto cujo enredo diverte as mulheres e contrariam os maridos, especialmente aqueles que se veem retratados nessa obra. Outra obra dessa autora que vem sendo lida e comentada é o romance "O Silêncio das lembranças".

O Silêncio das Lembranças

Publicado em 2011, conta a história de duas irmãs apaixonadas por leitura e pelo contato com a natureza. Na infância brincam soltas pelos sítios nos derredores da Casa Grande em Jardim das Vargens. Marisca, atrapalhada e dotada de imaginação fértil, confunde a realidade com o mundo dos livros. Dentre outros temas a obra mostra um pouco da trajetória da mulher ganhando espaço na sociedade. As protagotistas Marina e Marisca são retratos de mulheres que, filhas de famílias bem tradicionais, desejavam ganhar asas através de uma profissão, buscando conquistar o próprio espaço além dos limites estabelecido pelo casamento. Marina tornou-se escritora, porém apesar de abrigar dentro de si uma alma de pássaro, não realizou o seu sonho de liberdade, mas a jornalista Marisca, sim.


Raquel de Queiroz

Raquel de Queiroz (4)
Escritora brasileira, iniciou a sua carreira aos vinte anos sendo a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Nasceu em fortaleza, no Ceará, e é, pelo lado materno, descendente do escritor José de Alencar (3). Ao publicar o romance "O Quinze" aos vinte anos, Raquel de Queiroz tornou-se nacionalmente conhecida e reconhecida pelo seu talento. Ao longo de sua trajetória foi agraciada com vários prêmios tais como  Prêmio Fundação Graça Aranha para "O quinze", 1930; Prêmio Sociedade Felipe d' Oliveira para "As Três Marias", 1939; Prêmio Saci, de O Estado de São Paulo, para "Lampião", 1954; prêmio Teatro, do Instituto Nacional do Livro, e Prêmio Roberto Gomes, da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, para "A beata Maria do Egito", 1959; prêmio Jabuti de Literatura Infantil, da Câmara Brasileira do livro, para "O menino mágico", 1969 e prêmio Nacional de Literatura de Brasília para conjunto de obra em 1980, dentre outros.

O Quinze

Publicado em 1930, sendo o primeiro Romance da escritora, “O Quinze” é considerado a obra prima de Raquel de Queiroz. Dividido em dois planos narra uma história de grande seca ocorrida no interior do Ceará no ano 1915 conforme o título sugere.
No primeiro plano a narrativa se desenrola em todono dos protagonistas Conceição e Vicente que ambora sejam atraídos um pelo outros, estão separados por uma barreira cultural que desfavorece o romance dos dois. Conceição é uma moça culta, cheia de idéias feministas enquanto Vicente embora rico proprietário de terras, é um homem simples como os empregados de sua fazenda.
No segundo plano, dar-se a emocionante e dramática história de Chico Bento, vagueiro desempregado que é forçado a migrar a pé com sua família de Quixadá para capital cearence.

Graciliano Ramos

Graciliano nasceu em 27 de outubro de 1892 em Maceió. Após concluir o segundo grau, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a  trabalhar como jornalista. Em 1915, após a morte de alguns de seus irmãos, que foram vitimados pela peste bubônica, retorna ao Nordeste para morar próximo a família em Alagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria Augusta com quem teve quatro filhos. Em 1927 foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios, permanecendo no cargo por dois anos. Em abril de 1930, renunciou. Entre 1930 e 1936, época em que viveu em Maceió, trabalhou como diretor da Imprensa Oficial, professor e diretor da Instrução Pública do estado. Seu primeiro romance "São Bernado" foi publicado em 1934. No ano seguinte, sem saber ao certo de que estava sendo acusado foi preso e deportado para os cárceres do Rio de janeiro. Conta em suas "Memórias do Cárcere" que com ajuda de amigos, entre os quais o escritor José Lins do rego, conseguiu publicar seu romance Angústia. Embora, segundo ele, a obra ainda carecesse de alguns retoques.

Vidas Secas, publicado em 1938, é seu livro mais lido e comentado, todavia Angustia(1936) é considerado por alguns críticos como sendo o seu trabalho mais representativo. Graciliano faleceu em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de um câncer no pulmão.

Angústia

Romance publicado na época em que o seu autor estava preso é narrado por  Luís da Silva, homem solitário, desgostoso da vida e que acaba se envolvendo com sua vizinha, Marina.
Luís é um homem de trinta e cinco anos. Descrito por ele mesmo como sendo feio: olhos baços, boca muito grande, nariz grosso. (p34) Um sertanejo, um bruto, um selvagem, (semelhança com Fabiano de vidas seca). Diz ser um ignorante e que seus escritos não prestam: os sonetos compostos por ele não valiam nada. Luís trabalha numa reação fazendo artigos por encomenda, julgava-se medíocre, um homem submisso às vontades de outros.
Ao longo da história o narrador mistura fatos reais a antigos acontecimentos, recordações de sua infância vivida na fazenda do avô, Trajano Pereira de Aquino Cavalcante e Silva, que de tão velho morreu caduco. Quando criança, era acostumado a brincar só. Na morte do pai ninguém lhe dirigiu consolo e desde então diz que ter recebido muito coice. Mais adiante retomando os acontecimentos do presente comenta que a cidade o puniu demais e o sujou.
A história se passa em três tempos. O presente, tempo que abre e encerra o relato do narrador.  Existem relatos acontecidos num passado próximo, mencionado na obra como sendo janeiro do ano passado, (p38) época em que Luís conhece Marina e Julião Tavares. E por fim, existe o passado mais remoto que são as memórias da infância do narrador.
O romance finda como que sem desfecho porque não dá ao leitor certeza dos fatos, já que o narrador ensandecido delira dizendo coisas sem sentido. Porém o esclarecimento se dá no princípio da história quando Luís inicia a narrativa dizendo: “Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me restabeleci completamente. Das visões que me perseguiam naquelas noites compridas umas sombras permanecem, sombras que se misturam à realidade e me produzem calafrios” (p.7)


Machado de Assis


Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro. É citado pela crítica como sendo o escritor mais significativo da literatura brasileira. Atuou como romancista, contista, dramaturgo, jornalista, crítico literário dentre outros.

De origem pobre nasceu no Morro do livramento e não frequentou universidade. Todavia ascendeu socialmente, assumindo diversos cargos públicos atuando no Ministério da Agricultura, do Comércio dentre outros.  Seu talento e genialidade foram reconhecidos desde a publicação de suas primeiras crônicas e poesias. Foi o fundador e também o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Alcançou relativa fama e prestígio nacional ainda em vida. Atualmente, por sua inovação e audácia em temas precoces, a sua vasta obra tem alcançado notoriedade entre admiradores do mundo inteiro, sendo esse escritor brasileiro contado entre os grandes gênios da História da Literatura, citado ao lado de autores como Dante, Shakespeare e Camões.

Escreveu cerca de nove romances, duzentos contos, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas crônicas além de peças teatrais. É apontado como precursor do Realismo no Brasil devido a publicação do romance "Memórias Póstumas de Brás Cubas".

Memórias Póstumas de Brás Cubas 

Publicado em 1880, foi inicialmente escrito em forma de folhetim. Este romance marca o novo estilo na obra Machadiana, destacando-se pela audácia e inovação temática no cenário literário nacional. Os críticos consideram que, “com esse romance, Machado de Assis precedeu elementos do Modernismo e do realismo mágico de escritores como Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, e, de fato, alguns autores chamam-na ‘primeira narrativa fantástica do Brasil’. [...] O livro é notado como uma das obras mais revolucionárias e inovadoras da literatura brasileira. Mesmo depois de mais de um século de sua publicação original, ainda tem recebido inúmeros estudos e interpretações, adaptações para diversas mídias e traduções para outras línguas.” (2)

 Referências
(1) José Roberto Barbosa in O Silêncio das Lembranças (prefácio). Queima Bucha. 2011
(4) Raquel de Queiroz - Fotografia de Eduardo Simões