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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A Vida

poesia de Mario Quintana

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê passaram-se 50 anos!

Agora, é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando,
pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
Dessa forma eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta
de tempo, a única falta que terá,
será  a desse tempo
que infelizmente nunca mais voltará.



Fotografia 
"Flor do Xiquexique"
de Margleice Pimenta

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ENCONTRO DE PERSONALIDADES DO MUNDO LITERÁRIO


Na última quinta feira dia 17 de dezembro, por ocasião da festa de final de ano na APAE - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, vários personagens bem conhecidos da garotada estiveram ali presentes, entres eles Emília, Branca de Neve, Papai Noel, Mamãe Noel, Príncipes e Princesas. E em meio a esse clima de emoção e alegria, cheias de animação estavam também a apresentadora Vanuza e Vovó Glória, a Contadora de História, duas personagens que são meio reais e meio literárias. Ambas ficaram muitíssimo encantadas com o trabalho ali realizado, o lugar é bonito e aconchegante, contribuir com um trabalho como este é gratificante, quem o faz certamente agrada a Deus.




 


  





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Fotografias: Marcos Cavalcante

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

CHÁ LITERÁRIO

A noite do dia 30 de setembro foi de muita festa para a Escola Estadual São Judas Tadeu (MG), que conta atualmente com 100 alunos. Sob o cuidado e organização do Especialista de Educação Básica, Ismael Lopes, a vice diretora, Fabiane Oliveira e demais profissionais da área de Linguagem foi realizado o II Chá Literário da escola, que contou com presença expressiva de alunos e funcionários. O evento teve por objetivo fomentar e socializar a apreciação literária e artística de modo geral, englobando diversas disciplinas, passando pelo português, inglês, história e envolvendo até mesmo a matemática.
O trabalho de preparação para o Chá Literário ocorreu durante o terceiro bimestre com os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio. A leitura nunca é demais e a escola foi palco deste universo fascinante, embalado por poemas de Marilene Godinho, Margarete Solange e Cecília Meireles, todos declamados por alunos. Para dar início a extensa programação houve a execução do Hino Nacional Brasileiro, apresentação de danças, além da peça teatral “ Sítio do Pica Pau Amarelo”. Foi sem dúvida um exemplo de superação das dificuldades, na esperança de sempre alcançar os objetivos almejados. Antes de finalizar a primeira etapa do evento, a diretora Gilma Antunes aproveitou a presença dos responsáveis e apresentou a equipe da escola, composta por professores e funcionários, promovendo maior interação entre a comunidade escolar. Após as apresentações, uma recepção completa, relembrando a tradição do chá com bolo ou biscoito e um bom livro por perto. A festa foi encerrada com gostosuras diversas apreciadas por todos os participantes, que garantiram o sucesso do evento. 
O projeto “Chá Literário” começou pela necessidade de um reforço da biblioteca e passou por todo um processo, anterior ao encerramento desta quarta-feira. Desejando ampliar e reforçar o acervo, veio a ideia da campanha para que doações de livros fossem feitas à escola e assim pudesse reforçar o hábito da leitura nas crianças.
De acordo com a diretora da escola, esta etapa finalizada é com certeza apenas uma primeira edição, pois o projeto foi muito bem recebido por todos, contando até mesmo com o apoio da escritora norteriograndense, Margarete Solange, que, além de suas obras, fez doações de livros de expressivos escritores da literatura brasileira. Gilma considera que valeu muito a pena o empenho de todos os professores, alunos e funcionários em conjunto. Todos se envolveram mesmo que não participando diretamente das apresentações, como o bibliotecário que ajudou nos ensaios das peças teatrais. Para ela a chegada de novos livros é sempre uma novidade boa e bem vinda, permitindo que os alunos tenham acesso a uma biblioteca mais estruturada. E por considerar a leitura um trabalho de suma importância, espera que a comunidade escolar continue empenhada nesta campanha. Graças ao bom número de doações, os resultados foram visíveis e os alunos estão lendo mais do liam que antes. A diretora Gilma espera contar com os novas doações de livros, afinal, a campanha não acabou. E finaliza parabenizando a todos pelo sucesso do projeto e pelos momentos agradáveis. 








 





Escola Estadual São Judas Tadeu,
Minas Gerais
Reportagem e fotografias enviadas por 
Ismael Lopes:
Especialista em Educação Básica



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Uma Questão Delicada

conto de Margarete Solange
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Antigamente, especialmente para as mulheres, o casamento era uma questão de honra. Algo assim como obter uma formatura. Não casar trazia vergonha para a interessada e para toda a família. A moça que não casava tornava-se motivo de inúmeras chacotas, era chamada de solteirona ou, ainda pior, ficava para titia, no caritó.
Felizmente, na pós-modernidade, casar já não é obrigatório, é facultativo, ou seja, casa quem quer. Todavia, tem coisa que foge à lógica. Por exemplo, no trabalho, quando dizem que é um dia facultativo, ninguém vai, mas mesmo o casamento sendo facultativo, todo mundo quer casar, principalmente as mulheres. Os homens, de maneira geral, não têm tanta pressa.
Pode-se dizer que, ao casar-se, a mulher passa a ter acúmulo de cargos e funções, porque torna-se esposa, dona de casa, depois mãe, patroa, dona de gato, de cachorro, de papagaio, de periquito, além de tornar-se responsável, direta ou indiretamente, pela supervisão da atuação de baratas, pulgas, muriçocas e carrapatos.
A solteira pode viajar pelo mundo afora, se quiser, desde que tenha coragem e dinheiro, claro! E se não tiver gato ou cachorro, porque se tiver, é quase casada também. Quanto aos sobrinhos, não tem problema algum, porque estes acabam sendo devolvidos para as mães, se choram, urinam ou sujam as fraldas de outra maneira.
Viram só?! Hoje em dia ser tia é uma coisa boa. Quer dizer, quase boa, porque, diante do sobrinho, a tia não tem muita escolha. Tem que estar à disposição para tudo, ou quase tudo. Ainda assim, mesmo com toda a tecnologia e modernidade, algumas mulheres preferem ser mães a ser tias.
            Por algumas razões, às vezes é bem melhor ser tia do que ser mãe. A tia é mais disponível, tem emprego melhor, tem mais amigos, passeia mais e é mais livre para falar sobre qualquer assunto. Algumas mães acham que não podem conversar sobre certos temas, geralmente estão atarefadas e, à noite, algumas, para relaxar, assistem novelas. Assistir novela toma tempo... O tempo de passear, de conversar com amigos, e as tias sabem disso.
As tias se preocupam mais em arrumar-se, têm carro e dinheiro para ir ao shopping com as amigas e, por vezes, com os sobrinhos. Ser tia tem mais vantagens; contudo, em alguns momentos, os privilégios recaem mesmo é sobre a mãe. Por exemplo, não se comemora o dia nacional das tias. Além disso, se a criança faz uma pergunta sobre um assunto considerado delicado, a mãe simplesmente arranja uma desculpa e se isenta de responder. Se a criança insiste, ela se zanga e até faz ameaças. A tia não pode agir desse modo, tem que dar um jeito, porque ser tia é uma espécie de profissão. Se porventura a criança satura a mãe com diversas perguntas, desejando saber significados e porquês, a tia, querendo ou não, acaba entrando na história. Aí, ela, que não é boba nem nada, pede ajuda ao dicionário. É exatamente para isso que eles existem: para tirar dúvida, certo? Nem sempre!
O dicionário, como toda pessoa, tem suas virtudes e seus defeitos. Eles às vezes falam pouco ou não falam nada sobre aquilo que desejamos saber. Por exemplo, se é dito “as mulheres são avassaladoras”, e alguém não entendeu o que foi dito, vai ao dicionário. Ao invés desse nome, lá encontra a palavra “avassalador” com a seguinte definição: “que avassala”. Daí, a pobre criatura que não conhece a palavra fica na mesma. Isso acontece com muitas outras palavras. Para destrincharmos o significado de algumas, temos que ser insistentes e fazer um caminho bem logo até finalmente encontrar algo que realmente seja esclarecedor. O fato é que, ajudando ou atrapalhando, o dicionário está sempre presente nas nossas vidas. Portanto, examine-o bem antes de comprar. Existem aqueles que são muito bons, mas esses geralmente são os mais raros e os mais caros.
Uma coisa é certa: as tias terão a eterna obrigação de consultar o dicionário, para explicar aos sobrinhos um montão de coisas que eles não compreendem sozinhos. E isso pode ser em qualquer dia e a qualquer hora, porque a tia não tem horário fixo, não tem folga nem feriado, especialmente se ela e os sobrinhos moram debaixo do mesmo teto.
E por falar em sobrinhos, tenho vários. Todos são fofos: inteligentes e lindos! E o melhor de tudo é que já não sujam as fraldas. Mas ainda assim, mesmo crescidinhos, há sempre aqueles que estão por perto, desejando usar as tias para descobrir o significado daquilo que a mãe não quis esclarecer. E como já falei, o dicionário é como gente: às vezes ajuda, outras, atrapalha.
Agora veja lá essa que me aconteceu. Eu desfrutava prazerosamente um feriado prolongado, no qual estava feliz e realizada, simplesmente escondida atrás dum livro e mergulhada numa história que alguém criou, quando de repente, totalmente de repente, surge do meu lado uma voz infantil trazendo uma questão delicada que, com certeza, alguém antes de mim não quis responder.
Sem que percebesse, o feriado lamentavelmente chegou ao seu final. Sinceramente, não me agrada de modo algum aquele provérbio que diz “tudo que é bom dura pouco”. Decididamente, esse dito não deve constar em nossa cartilha.
O meu curioso sobrinho se aproximou e, sem se anunciar, assustou-me com sua presença e com a seguinte questão:
– Tia, me explique o que é orgasmo...
Bom, como já falei, essa coisa de olhar no dicionário o significado das palavras nem sempre dá certo. Às vezes, torna a coisa até mais complicada. Mas, tomando como base um trechinho do dicionário, a parte que diz “é o grau máximo de excitação”, dá para completar o resto com nossas próprias palavras.
Tratei de dizer para aquela criaturinha que “grau máximo de excitação” é uma coisa que traz uma sensação muito boa. Em seguida, expliquei-lhe que tive um grau máximo de excitação naquele feriadão de quatro dias, já que usei meu tempo inteirinho para fazer um montão de coisas que eram do meu próprio interesse – e isso, como dizem os adolescentes: “foi D+!!!!”
A família toda resolveu ir para a praia passar nada menos que quatro dias por lá. Como vivemos num mundo no qual roubar é até uma profissão, e os roubadores, principalmente num feriado prolongado, levam muito a sério o seu trabalho, alguém tem que ficar como vigia da própria casa. Eu prontamente me ofereci para isso. Fiquei porque sabia que dessa forma me pouparia de estresse e trabalho.
Todos partiram alegres e barulhentos. Eu não via a hora de dizer “divirtam-se, amores!” Sequer me preocupei em fazer cara de pesares porque tinha sido a sorteada para ficar. Quando se foram, comemorei. Enfim, sós!
Ai que alívio! Que “grau máximo de excitação” saber que tinha quatro dias para ser eu mesma, no silêncio de uma casa inteirinha só para mim, para eu fazer as coisas de que gostava sem ter que cumprir nenhuma obrigação.
Foi lindo! Pude ler e estudar à vontade, sem pedir silêncio, sem ter que interromper para cumprir horários, sem campainha nem telefone tocando. Além disso, eu só precisava sair da toca duas vezes por dia, para alimentar os meus cachorros com uma comidinha pronta, a qual não tinha sequer que esquentar. À noite, dedicava um pouco de tempo para esses meus amigos, que saltavam de alegria logo que eu me aproximava.
Tenho percebido que, para os cães de estimação, o lazer é mais importante que o alimento. Eles adoram a companhia de seu dono, seja para conversar, reclamar, gritar ou ficar apenas ao seu lado, sem dizer absolutamente NADA. Os cachorros amam simplesmente, e não há nesse amor nenhum jogo de interesses. Nada cobram, tampouco ficam cheios de queixas sobre o que seu dono faz ou deixa de fazer. 
– Nossa! Eles não são o máximo?!
Imagino que toda pessoa que já provou do amor incondicional de um cachorro, sente falta de tal devoção em seu dia a dia, até mesmo por parte daqueles que costumeiramente são considerados melhores amigos.
Toda mulher, seja mãe ou tia, precisa de mimos e de um tempinho de folga para cuidar de si. Quando estão felizes, elas conseguem ser pessoas meigas, como no íntimo elas realmente o são. Com base em minhas experiências de anos e anos de vida, como confidente e representante de uma multidão de mulheres insatisfeitas – donas de casas, esposas, mães, sogras, donas de cachorros e gatos, entre tantas outras – digo que um período de folga total assim é a melhor definição para a tal “excitação máxima” para a classe feminina. Especialmente para aquelas que são intelectuais e vivem do estudo e da leitura.
Todavia, esse grau de excitação máxima varia de pessoa para pessoa, isso vai depender da necessidade e do passatempo favorito de cada um. Existem aqueles que não precisam de silêncio, tampouco solidão. Nesse caso, o prazer desses é estar em lugares festivos, barulhentos, com muita gente e agitação.
Mas atenção, o prazer feminino varia de mulher para mulher, dependendo do ponto “G” de cada uma delas, ou seja, daquilo que elas realmente ‘G’ostam mais. Dessa forma, para algumas, o grau máximo de excitação significa ir às compras, ir à praia com os amigos, dirigir em alta velocidade xingando os marmanjos que fazem imprudências no trânsito, ou simplesmente ler um bom livro enquanto alguém está fazendo a faxina da casa no lugar dela. 
– Pois é, orgasmo é isso! Compreendeu, querido sobrinho?

















.Margarete Solange,Contos Reunidos,
Sarau das Letras,2014, p. 186-190




segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Exposição - Arte de Margleice Pimenta



Belas imagens que como poesias encantam e mostram a sensibilidade e o talento da poetisa e fotografa cearense Margleice Pimenta.
















Fotos de Margleice Pimenta: 
No site Margpepe Fotografia
https://www.facebook.com/Margpepe-Fotografia




sábado, 19 de setembro de 2015

NA SOLIDÃO DA FAZENDA

 por  CHUMBO PINHEIRO*

Pesquisador da literatura potiguar, Manoel Onofre Júnior em seu livro “Salvados”, 3ed. 2014, afirma; “Em toda a sua história literária o Rio Grande do Norte produziu cerca de 40 bons ficcionistas. Este número contrasta com a abundância de poetas”. Este importante registro sobre a literatura potiguar traz explicitamente dois aspectos: primeiro o reconhecimento de uma larga, diversa e rica produção poética que o próprio Onofre Junior identifica em sua obra destacando nomes que fazem a história da poesia local em diferentes temporalidades e contextos históricos. O segundo aspecto é o registro – apesar de uma produção quantitativa pequena – de uma produção ficcionista no nosso estado.
Esse parece ser um dos mais significativos registros sobre a história da literatura potiguar. Ao reconhecer esta produção literária de ficcionistas potiguares, sem desconsiderar também o trabalho de outros pesquisadores, Onofre Júnior, promove não só o autor que já tem suas obras publicadas mais provoca os escritores norte-rio-grandenses a uma reflexão e mais ainda a uma inquietação.
De fato, o mundo dos leitores é ainda muito reduzido por aqui e quando se inicia o processo de desenvolvimento da leitura na maioria das vezes nossos leitores são apresentados, desde cedo, a autores e clássicos de outros estados do país e best-sellers internacionais, deixando quase ou mesmo no total esquecimento nossos autores.
Mas a existência de escritores locais inclusive com projeção nacional como Homero Homem (1921-1991) e Nei Leandro de Castro, que continua escrevendo, nos leva a crer que temos sim muito a crescer e a contribuir para o fortalecimento da literatura ficcionista potiguar.
Recentemente em artigo publicado na Tribuna do Norte (08/04/2015), Thiago Gonzaga, pesquisador, especialista em cultura e literatura potiguar, registrava a deficiência da critica literária no nosso estado, na coluna que se abriu como uma lacuna (perdoem-me a rima) que foi deixada com a ausência das criticas literárias semanais de Nelson Patriota, que até então publicava no jornal.  Naquele mesmo artigo afirma Thiago Gonzaga “Nunca se produziu tanta literatura como nos dias atuais no Rio Grande do Norte”.
De fato, temos assistido a uma explosão sadia de publicações literárias. Sabemos que, ainda assim, não somos, como demonstram as pesquisas, um estado onde se registre um grande número de leitores. Contudo, isso deve ser analisado através de estudos e investigações que  aprofundem vários fatores que influenciam nesta realidade, sejam, educacionais, econômicos, culturais ou políticos.
O registro que aqui desejo fazer é do crescimento da produção ficcionista potiguar. Como tem se revelado entre nós novos autores e só para citar alguns: Aluísio Azevedo Junior, Carol Vasconcelos, Damião Gomes, José de Castro...
Além destes nomes, chamo atenção para Margarete Solange Moraes. Autora do livro “Fazenda Solidão” que chamou minha atenção já pelo título, que me levou a lembrar do nome de um dos políticos mais importantes na história do Rio Grande do Norte. A história, no entanto, não se confunde com a ficção neste aspecto. O romance se desenvolve no campo e o enredo embora não apresente nada que impressione o leitor, prende-o, pela leveza da narrativa.
A história se passa entre duas fazendas e as relações humanas vão se revelando e ganham uma relevância crucial.  As personagens expõem seus mais caros sentimentos, seus conflitos e seus dramas familiares. É interessante a presença de um escritor como um dos protagonistas da história. O detalhe é que esta personagem escreve pelo prazer cumprindo seu papel sem buscar tornar-se famoso, por satisfação pessoal e a partir das vivências, paisagens, angústias e celebrações que o cercam.
Certamente, há que se encontrar similitudes entre os sentimentos da autora e suas personagens, como também entre os leitores ao se verem refletidos nas aflições, sonhos e no dia a dia da vida doméstica, social, política e que estão vivas em Cecília, Irene e Suzana, e entre Augusto e o seu apego ao trabalho e ao dinheiro, também estará refletido na fantasia do escritor recolhido e solitário e a filha herdeira de um rico fazendeiro e sua vida prática onde todos os problemas eram resolvidos com o poder do dinheiro. Fantasias tão díspares mas que talvez por essa razão se atraíram, se afinaram, unindo mentes tão diferentes para construir uma felicidade que se conquista a cada novo alvorecer e que nenhum valor monetário pode comprar.
Margarete Moraes traz em “Fazenda Solidão” uma história que apesar de se passar no campo, não está presa ao passado e às tradições do espaço/tempo. Os dramas e inquietações da vida moderna estão presentes, e, mesmo o comportamento do escritor Rodrigo que prefere usar uma máquina de datilografia elétrica a um computador, o faz para manter uma relação mais próxima das suas viagens mentais e sentimentais pela paisagem da fazenda e melhor sentir com a sua amada dádiva o nascer e o por do sol, as noites e todas as suas luas sempre presentes, além do amor a sua esposa.
Ao leitor e leitoras potiguares, o romance de Margarete Moraes traz estados de alma, sentimentos e dramas que vistos com seu olhar parecem nos afetar sem nos causar o desespero dos que não têm fé e perceber que mesmo nos momentos mais difíceis, o amor, a solidariedade e a compreensão são sempre a melhor decisão.


Artigo publicado em 15 de setembro de 2015, no site
101livrosdorn.blogspot.com

** Articulista, autor de “Alguns Livros Potiguares" (CJA Edições 2014)



Fazenda Solidão, 2ª ed
Margarete Solange
Sarau das Letras
Mossoró, RN, 2005, 
220 páginas,  
ISBN: 978-85-5518-006-4
Literatura Brasileira

PROJETO "EU LEIO E VOCÊ ME ESCUTA"

ESCOLA SÃO JUDAS TADEU, 
MINAS GERAIS
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O projeto "Eu leio e você me escuta" iniciado em março de 2015, segue seu curso sendo bem sucedido na tarefa de despertar a curiosidade e o interesse de jovens estudantes para ler por prazer. Este projeto foi idealizado pelo especialista em Educação Básica, Ismael Lopes, a partir do diagnóstico de que os alunos da Escola São Judas Tadeu (MG) tinham dificuldades de leitura e interpretação. Para realização do projeto foi preciso primeiramente aumentar o acervo da pequena biblioteca da escola. Para isso Ismael e demais pessoas envolvidas no projeto conseguiram doações de livros. Entre os parceiros doadores, a escola contou com o apoio da escritora Margarete Solange, de Natal, RN, que além de livros de sua autoria, doou também exemplares de clássicos da literatura brasileira. Dessa forma, conseguiram que os alunos tivessem acesso a leitura de poesias, crônicas, contos e romances. O bibliotecário se encarrega de emprestar os livros e se prontifica a ouvir os recontos feitos pelos alunos. Além disso, junto com os professores desenvolve uma série de atividades de leitura que acontecem não somente em sala de aula e na biblioteca, mas também no pátio da escola e até mesmo na praça do povoado. Além das muitas atividades desenvolvidas internamente, os leitores pode escolher o livro que deseja ler em casa; ao termino da leitura reconta a obra lida. Portanto, o projeto avança e já recolhe os bons frutos de uma colcheta que começa na escola e salta para toda a vida. 
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Informações e Fotografias 
Enviadas por Ismael Lopes (MG)

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Projeto "Eu leio e você me escuta"

O projeto EU LEIO E VOCÊ ME ESCUTA teve início em março de 2015 e tem como objetivo despertar a curiosidade e interesse pela leitura. Idealizado pelo especialista em Educação Básica, Ismael Lopes, a partir do diagnóstico de que os alunos da Escola São Judas Tadeu (MG) tinham dificuldades de leitura e interpretação. Para despertar a curiosidade e interesse dos alunos, o bibliotecário, além de fazer o empréstimo dos livros, se mantém na expectativa de ouvir os recontos; e ajuda também a montar o jornal mural com o nome NOTÍCIAS DO DIA. Nesse jornal são postados dicas de leitura, textos informativos, contos, poemas, receitas e dicas de leitura de livros. O especialista ler trechos de livro para os alunos e, em seguida, posta pequenas resenhas com finalidade de aguçar a curiosidade dos leitores. Com isso os motiva a recorrer a biblioteca para prosseguir com a leitura. Na semana seguinte, os estudantes fazem o reconto ao bibliotecário. A leitura não acontece somente na biblioteca, todos os professores da referida escola estão envolvidos no projeto. Além dessas atividades, são realizados também piquenique de leituras no pátio da escola ou na praça do povoado. Mensalmente bibliotecários de outras escolas contribuem também com o projeto proferindo palestras. O projeto se desenvolverá até a última quinzena de setembro, culminando com um Sarau e o Chá Literário com a exposição de todo o trabalho realizado pelos alunos, ou seja, livros de poesias, conto, poemas, paródias etc.






 

 



Texto e fotografias
Enviados por Ismael Lopes