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sábado, 23 de novembro de 2013

Não entendo...

Crônica de Clarice Lispector

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Clarice Lispector
A descoberta do Mundo: Crônicas,
Editora Rocco, 2008,  p. 178

Clarice Lispector nasceu em 10 de dezembro de 1920 na República popular da Ucrânia e Morreu aos 56 anos no Rio de Janeiro. Começou a escrever logo que aprendeu a ler. Na infância morou e Recife, por isso considerava-se pernambucana. Falava vários idiomas, dentre: francês e inglês. No ambiente domiciliar falava o idioma materno.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

LiXO de Veríssimo

Luis Fernando Veríssimo
é cronista, romancista,
dramaturgo, músico,
cartunista e tradutor. 
Filho do  escritor Érico 
Veríssimo, nasceu em 1936, 
em Porto Alegre, 
Rio Grande do Sul. 



Lixo de Veríssimo, essa foi boa! Ahahahah. Vieram correndo protestar, hein?!
Oi Gentiii, maravilhosa do Nosso Literário Bloguinho, estamos todos sumidos, nós editores, apresentadores e vocês idem. Todo mundo muito ocupado com beleza, carreira e outras futilidades mais. A vida é dura e fria para quem vive no gelo e mole e quente para quem mora no Brasil. Eu estava mortinha de saudades, por isso passei aqui para deixar meu rastro incandescente para vocês virem correndo dar uma olhadinha curiosa e carinhosa. Gentiiii.... esse rapaz de cabelos brancos é incrível, até o lixo dele se aproveita com gosto. Pois é, aí vai mais uma do grande Fernando Veríssimo pra você que curtir o Nosso Bloguinho. Se quiser pode compartilhar, fique bem à vontade, esse blog é todo seu.



LIXO
                                                                                         Luis Fernando Veríssimo

Encontram- se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
– Bom dia...
–  Bom dia.
–  A senhora é do 610.
–  E o senhor do 612
–  É.
–  Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
–  Pois é...
–  Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
–  O meu quê?
–  O seu lixo.
–  Ah...
–  Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
–  Na verdade sou só eu.
–  Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
–  É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
– Entendo.
– A senhora também...
–  Me chame de você.
–  Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
–  É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
– A senhora... Você não tem família?
– Tenho, mas não aqui.
– No Espírito Santo.
–  Como é que você sabe?
–  Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
–  É. Mamãe escreve todas as semanas.
–  Ela é professora?
–  Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
–  Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
–  O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
–  Pois é...
–  No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
–  É.
–  Más notícias?
–  Meu pai. Morreu.
–  Sinto muito.
–  Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
–  Foi por isso que você recomeçou a fumar?
–  Como é que você sabe?
–  De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
–  É verdade. Mas consegui parar outra vez.
–  Eu, graças a Deus, nunca fumei.
–  Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
–  Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
–  Você brigou com o namorado, certo?
–  Isso você também descobriu no lixo?
–  Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
–  É, chorei bastante, mas já passou.
–  Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
–  É que eu estou com um pouco de coriza.
–  Ah.
–  Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
–  É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
–  Namorada?
–  Não.
–  Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
–  Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
–  Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
–  Você já está analisando o meu lixo!
–  Não posso negar que o seu lixo me interessou.
–  Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê– la. Acho que foi a poesia.
–  Não! Você viu meus poemas?
–  Vi e gostei muito.
–  Mas são muito ruins!
–  Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
–  Se eu soubesse que você ia ler...
–  Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
–  Acho que não. Lixo é domínio público.
–  Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
–  Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
–  Ontem, no seu lixo...
–  O quê?
–  Me enganei, ou eram cascas de camarão?
–  Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
–  Eu adoro camarão.
–  Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
–  Jantar juntos?
–  É.
–  Não quero dar trabalho.
–  Trabalho nenhum.
–  Vai sujar a sua cozinha?
– Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
– No seu lixo ou no meu?

 







Luis Fernando Veríssimo. Lixo (crônica), em O Melhor das Comédias da vida privada. Editora: Objetiva, 2002, p. 87


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Análise literária - Obra Rebeca de Margarete Solange



1 Autora: Vida e Obra

Margarete Solange, nascida em Natal, RN, escreve poesias, crônicas, contos e romances. Autora de nove obras publicadas, em 2009, foi premiada, no concurso literário, escritor norte-rio-grandense, na categoria contos com o livro Ninguém é Feliz sem Problemas e outros Contos.

2        Resumo da Obra

Para não se tornar mulher do próprio sogro, Rebeca foge durante a noite acompanhada de seu irmão Ismael e esconde-se no Vale do Sitim. Todavia como o irmão precisa sair em busca do pai Eliacim em sua aldeia em terras de Moabe, a jovem viúva permanece no vale escondida em cavernas. Para sobreviver ela enfrenta muitos perigos e torna-se valente como os guerreiros que saem para pelejar nas guerras. Além de corajosa, sempre disposta a enfrentar os perigos, a jovem Rebeca também conta com a proteção de Jeová, Deus dos Israelitas, o mais poderoso e temido dentre os deuses venerados pelos povos da Palestina e regiões circunvizinhas.

3        Enredo

 A história de “Rebeca” gira em torno da vida de uma jovem viúva que fugiu porque seu sogro queria desposa-la. Em sua fuga ela presencia dois soltados assírios apedrejando um lunático, Natanael. Ao partirem ela passa a cuidar dele com uma espécie de remédio feito por ela com mirna. Com o passar do tempo ele vai se se recuperando das chagas e assim recuperando o juízo, porque a mirna era conhecida por curar, até mesmo, feridas que fossem tidas como sendo incuráveis.
O enredo apresenta unidade e organicidade, pois a história possui início, meio e fim. O desenvolvimento da narrativa compreende os fatos ocorridos pelas bandas do vale de Sitim, no início capítulo 3 - “Era manhã quando avistou Natanael, o valente que se tornara louco, aproximando-se...” - até o momento em que Rebeca retorna para Moabe, seu povo, juntamente com seu marido, Natanael, já no capítulo 7 - “Quando se aproximaram das aldeias de Moabe, Natanael desceu do cavalo e o conduziu pela mão, levando sua esposa montada sobre ele...”. O conflito principal do romance se desenvolve no decorrer da narrativa - o amor de Rebeca por Natanael.

4        Clímax

 O clímax do romance se dá quando Natanael declara o seu amor para Rebeca.
“– Ouça-me, Rebeca, não te tenho a ti por uma irmã, filha do mesmo pai... Como se agita o coração de Naás por ti, do mesmo modo agita-se o meu. Se me seguires não te terei por minha irmã, mas te tomarei por minha mulher...”.

5        Desfecho

Diferentemente dos romances clássicos o desfecho dá-se quando, passados alguns dias após Natanael voltar trazendo consigo sua esposa, eles decidem voltar a Gileade. Ao chegarem a uma planície verdejante junto ao rio Jaboque, “Natanael ergueu um altar ao Deus de seus pais e lhe ofereceu sacrifícios.” Com ele foram, Rebeca sua mulher, seus três filhos, Elon, Sara e Daniel. Seus filhos casaram e foram dados em casamento, com o passar dos anos também tiveram filhos. Rebeca deu a luz a Maressa. E assim viveram felizes e prósperos, nas planícies de Gileade. Natanael já sendo velho e avançado em idade abençoou seus filhos e morreu farto de dias. Elom se tornou o maioral do seu povo. Apesar disso, nenhuma decisão era adotada sem que se ouvisse os conselhos de Rebeca. Não tinham fortunas nem castelos, mas tinham sua rainha. Ainda que fosse mulher, recebia as glórias que eram destinadas aos anciões do povo.

6        Personagens

 A obra “Rebeca” apresenta dois personagens principais, redondos. Eles são sempre compostos de modo a tornar variável o que mais interessa nesse tipo de romance: a ação. São eles: Rebeca e Natanael. Rebeca resume-se numa mulher formosa, jovial, sabia e muito valente.
Os personagens secundários compõem o quadro necessário para colocar a história em movimento ou propiciar informações de certos dados essenciais à trama e representam, por meio de alguns tipos característicos. São eles:
Elom: Segundo filho de sua primeira esposa.
Marta: Sua segunda esposa, irmã da sua falecida esposa.
Hatus: Sogro de Rebeca. Era muito rico e poderoso. Possuía muitas herdades, camelos, cordeiros, bois e também muitos servos.
Ismael: Irmão de Rebeca.
Eliacim: Pai de Rebeca.
Zabade: Era o terceiro mais rico do reino dos Amonitas. Possuía muitas ovelhas, camelos, bois e cabras. Suas terras eram abundantes, nelas os seus empregados trabalhavam colhendo espigas.
Naás: Filho de Zabade. 

7         Narrador

 O romance é narrado na terceira pessoa, por um narrador onisciente. O narrador esta presente no inicio da obra, quando ele conta que descobriu alguns pergaminhos em uma excursão na Palestina e passou o restante de sua vida tentando traduzir e conseguiu já velho e farto de dias. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas emoções e pensamentos.

8        Tempo

 No romance “Rebeca”, o tempo na narrativa é o tempo que assinala o percurso cronológico, ou seja, os acontecimentos vão sendo incorporados à história em ordem cronológica, marcado pelo movimento do sol (alternância dia-noite), pelas estações do ano, etc.

9        Espaço

 A história acontece na trajetória que transcorre entre as aldeias de Moabe, Amom, Gileade e Síria, destacando-se o vale de Sitim, que foi onde Rebeca passou maior parte do tempo escondida de seu sogro e onde conhece Natanael.

10  Ponto de vista critico da obra

 A obra “Rebeca”, de Margarete Solange traz ao leitor uma emocionante historia de amor ao mesmo tempo em que informa sobre culturas e tradições do povo hebreu no período dos reis. Remete-nos a personalidades bíblicas tais como Rute e Davi, dentre outros. Mostra-nos que em tempos difíceis de batalhas e combates, em meio a suspenses e aventuras, achamos no amor a força que prevalece.
Através de sua obra, a autora nos mostra a trajetória de personagens desiludidos que conseguiram triunfo. Além de corajosos, sempre preparados a enfrentar as ameaças, os protagonistas do romance também contam com o amparo de Jeová, Deus dos Israelitas. Apesar de ser uma historia de ficção, podemos tirar dela lições de vida e fé.
Finalmente, temos em “Rebeca” uma literatura prazerosa, que pode ser lida e admirada por pessoas de qualquer idade.


Texto de Jucymário de Lima, 
estudante do terceiro período 
de letras Espanhol, (uern),
apresentado à disciplina
Teoria da Literatura II.
Professora: Luiza Helena




Texto enviado por Jucymário Lima.
Fontes: 

Rebeca 
Romance de Margarete Solange
Literatura Brasileira 
ISBN: 85-911291-2-1
1ª edição - Ano:  2000
Editora: Santos - Mossoró RN
70 páginas: ilustrado
CDD: 869.3

Sobre a biografia e resumo da obra






domingo, 8 de setembro de 2013

Para Sempre

                               Carlos Drummond de Andrade
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.


Fonte 
Carlos Drummond de Andrade.
Lição de Coisas. 
Companhia Das Letras,


sábado, 13 de julho de 2013

Mulher e Literatura

Homenagem às Escritoras Nordestinas
.
Escrito por Super User Ligado 07 Fevereiro 2013.
 Publicado em  Mulher e Literatura

O Seminário Nacional Mulher e Literatura abriga a tradição de, a cada evento, homenagear nomes expressivos da literatura de autoria feminina.

Ao longo de sua história, foram contempladas desde nomes consagrados – como Adélia Prado, Clarice Lispector, Maria Teresa Horta e  Rachel de Queiroz, até escritoras menos estudadas – a exemplo de Diva Cunha,  Laís Corrêa de Araújo e Myriam Fraga.


A nova edição do Seminário propõe um gesto mais amplo, ao homenagear, não figuras individuais, mas o coletivo de escritoras brasileiras representativas da região Nordeste do país, a fim de propagar a produção escrita dessas mulheres, apresentando, aos leitores, autoras, muitas vezes, desconhecidas do público em geral.

Veja a seguir algumas das escritoras Nordestinas que serão homenageadas no Evento Mulher e Literatura que acontecerá na Universidade Federal do Ceará/UFC, nos dias 12, 13 e 14 de agosto de 2013.

Maranhão
                                Lucy de Jesus Teixeira                     Nazarethe Fonseca
Piaui
 
Maria do Socorro Santana Ramos        Francisca Miriam Aires Fernandes
Ceará
                                     Raquel de Queiroz                       Natércia Campos

Rio Grande do Norte 
    Isabel Gondim                          Margarete Solange

Paraíba 
Anayde Beiriz                            Regina Lyra

Pernambuco
                                 Ana Arruda Callado                         Su Angelote

Alagoas  
                                     Heliônia Ceres                            Martha Medeiros

Sergipe
Etelvina Amália de Siqueira                 Carmelita Pinto Fontes 

Bahia

                                            Aline França                     Cyana Leahy-Dios

Fonte:
Escrito por Super User Ligado 07 Fevereiro 2013.
Texto e fotografias publicado Mulher e Literatura
mulhereliteraura2013.com.br


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Fiore Rossa

                                                          Margleice Pimenta

Fiore rossa rugiadosa quando arriva la notte.
Suoi petali belle che sono uno encanto, 
e sentire il sapore d'amore che viene dal giardino. 
Sono una cosa a faccere: essere felice! 

Texto e foto: Margleice Pimenta





















Homenagem de toda Turma do Literário Bloguinho à artista Margleice Pimenta.
Parabéns e Felicidades Sempre.
Grande abraço!

domingo, 7 de julho de 2013

Exposição - Arte de Felipe Galdino




 





Olá, rapaziada...
Nosso convidado Bloguinho do momento é o artista Felipe Galdino que fotografa pra lá de bem e pincela com arte tudo que passa pela lente de sua câmera. Estas fotos são amostras de seus primeiros trabalhos, coisas do início de sua carreira. Ele é o cara... quer dizer "O fotógrafo". Para ele, Nossos aplausos Literários.



Fotografias de Felipe Galdino,
gentilmente cedidas pelo próprio autor.
Para ver outras fotos de Felipe G. em  
Nosso  Bloguinho, acesse a página 
http://nossoliterariobloguinho.blogspot.com.br/2011/10/rapaz-por-um-dia.html

sábado, 29 de junho de 2013

Beija-me

                                                                
                                                                       Poesia de Roanny Phanuelly


Beija-me com sorrisos doces
Sorrisos de palavras poucas
Belas, rosadas palavras
Sinceras, puras, lindas palavras.
Beija-me com abraços doces
Quentes, sabor creme
Beija-me com os lábios de tua boca
Loucos  lábios envolventes.
Faça-me esquecer o mundo
Cativa-me, Encanta-me
Esqueça o mundo.





Fotografia de Felipe Galdino

sábado, 15 de junho de 2013

Nuvens

Margleice Pimenta

Nuvens que se dissipam no céu azul do Sertão,
galhos de árvores secos embrenhados pela caatinga. 
Sol do meio-dia que desatina! 
Há sempre o canto dos galos-da-campina (cabeça vermelha)
que pousam de galho em galho.
Enfim, a natureza se encarrega de revelar as suas exuberâncias.



Foto: Margleice ( 13.12.2012)
Link dessa foto
http://margpepelite.blogspot.com.br
/2012/12/nuvens.html


Margleice Pimenta, 
Poetisa do Ceará,
escreve em português 
e italiano. 
Para ler outras obras 
dessa autora 
acesse

domingo, 26 de maio de 2013

O Mosquito Escreve


                                                                      Poesia de Cecília Meireles

O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.

O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U, e faz um I.

Este mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí,
se arredonda e faz outro O,
mais bonito.

Oh!
Já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever seu nome.

Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?

E ele está com muita fome.

imagem1
.
imagem 2
A grande Poeta Cecília Benevides de Carvalho Meireles ou tão somente Cecília Meireles, nasceu em 7 de novembro de 1901, no Rio de Janeiro. Órfã ainda criança, foi educada pela avó materna. Professora primária formada em 1917, dedicou-se ao magistério. Em 1919 publicou seu primeiro livro de poesias, Espectros, de tendência parnasiana. A partir dos livros Viagem (1939) e Vaga Música (1942), alcançou a maturidade literária, inspirando-se principalmente no simbolismo. Seu estilo, extremamente pessoal, dificulta a classificação de sua obra em uma escola literária específica, no entanto, o nome dessa ilustre poeta fulgura entre os principais autores do modernismo. Lírica, intimista e mística, abordou os temas da precariedade da vida, do amor, da morte e da fugacidade do tempo

Fonte Cecilia Meireles. Ou isto ou aquilo.
Nova Fronteira,  9ªedição 2002.
1. site dessa imagem

2. site dessa imagem 



quarta-feira, 8 de maio de 2013

Partida Inteira

                                           poesia de Leontino Filho
Minha alma cega
enxerga o teu corpo
rasgando
os sóis nus da madrugada

Minha alma louca
persegue os teus olhos
incendiando
as luas tortas da noite

Minha alma vã
colhe o teu cheiro
mergulhando
nos ventos doídos da tarde

Minha alma vai
sem pressa
ao encontro
da perdição:
um corpo só corpo
sem alma
a minha


Leontino Filho, poeta cearense, Mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Doutor em Estudos Literários pela UNESP, Campus de Araraquara, SP, é autor dos seguintes obras:  Amor – uma palavra de consolo, 1982; Imagens, 1984; Cidade íntima, 3 edições: 1987, 1989, 1999; Entressafras, 1988, em parceria com o poeta potiguar Gustavo Luz; Sagrações ao meio, 1993.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Um Amigo que somente a última batida do coração separa


Él es tu amigo, tu compañero, 
tu defensor, tu perro. 
Tú eres tu vida, su amor, su lider. 
Él será tuyo siempre,
 fiel y sincero hasta el último latido de su corazón. 
A él le debes ser merecedor 
de tal devoción. 
                                                        (Anómino)


No amor desinteressado de um animal, no sacrifício de si mesmo, alguma coisa há que vai direito ao coração de quem tão frequentemente pôde comprovar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade do homem.
(Allan Poe in O Gato Preto)
  
Hay algo en el generoso y abnegado amor de un animal que llega directamente al corazón de aquel que con frecuencia ha probado la falsa amistad y la frágil fidelidad del hombre.
(Allan Poe in El Gato Negro)
  
There is something in the unselfish and self-sacrificing love of a brute, which goes directly to the heart of him who has had frequent occasion to test the paltry friendship and gossamer fidelity of mere Man .
(Allan Poe in The Black Cat)


Ele não queria ir
Porque me amava intensamente.
Eu lia isso nos seus olhos
Redondos, contentes.
Olhinhos que eu tanto amei.
Ele não queria partir
E a lembrança disso me dilacera o peito.
Quem dera ele estivesse aqui
Nesse momento e pra sempre...
                                                                                 (Margarete Solange, Intensamente)


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Análise da Poesia "Às Mulheres"

                  Texto de Jucymário de Lima, 
estudante do segundo período 

de letras Espanhol, (uern),
apresentado à disciplina
Teoria da Literatura.
          

         Às Mulheres
                                                                   Margarete Solange
Quem pode entender as mulheres?
Elas são tão complicadas,
Carentes, dengosas,
Mui amadas, maravilhosas.
Difíceis de se contentar com tão pouco.
Reclamam, principalmente com quem amam,
Mudam de estilo como o camaleão,
Mesmo na simplicidade são vaidosas,
Até as feias são charmosas,
Gostosas de abraçar,
Irresistíveis, ternas, maternas, talentosas,
Frágeis, ágeis, perigosas...
Brilhantes como o sol, bravias como o mar,
Encantam... Embora não sejam tão apreciáveis
Em todas as suas fases:
Minguantes, ficam implicantes,
Depressivas, prontas para atacar,
Ou chorar por qualquer razão.
Rosas perfumadas com beleza e espinhos,
Braços para abraçar, palavras para ensinar,
Lições para guardar no fundo d’alma.
Por causa delas o mundo se comove,
E nas batalhas vencem sem usar armas mortais.
As mulheres são: de dia como o sol,
De noite como a lua, como o céu cheio de estrelas.
Quem pode resistir aos seus encantos?
Quem pode existir sem elas?

Moraes, Margarete Solange.
Inventor de Poesia, p. 23,
Queima Bucha, 2011.

 Quanto à forma

A poesia “Às Mulheres”, de Margarete Solange, é uma poesia moderna, de uma única estrofe, distribuída engenhosamente em 27 versos livres, no que se refere à métrica. Quanto à rima são irregulares quanto à posição e misturadas e emparelhadas, portanto podem ser representadas pelo seguinte esquema rítmico:
.
Abcbcaeeaacccdfggchhidaafiiiddabdddjjdll



Ao longo da poesia, existe a repetição das palavras

Mulheres, tão, são.


No verso “... Lições para guardar no fundo d’alma.”, há Elisão que é um artifício usado na poesia para adequar o numero de sílabas poéticas dentro de um verso.


Nos versos “Mui amadas, maravilhosas.

Difíceis de se contentar com tão pouco.

Reclamam, principalmente com quem amam,

Mudam de estilo como o camaleão,...”, podemos perceber a repetição da mesma consoante ao longo dos versos.

Evidenciando a presença da Aliteração de M, L, C e assonância de A e O.


Nos versos “... As mulheres são: de dia como o sol,...” podemos perceber a similaridade/comparação.


Vejamos mais algumas figuras de linguagem

Símile ou comparação
Como o camaleão,
Brilhantes como o sol,
Bravias como o mar,
De dia como o sol,
De noite como a lua,
Como o céu cheio de estrelas.

Sinestesia
Gostosa de abraçar = remete ao tato
Rosas perfumadas= ao olfato

Metáfora
Diz que as mulheres são Rosas, portanto usa um sentido figurado para dizer que as mulheres são belas.
Brilhantes para dizer que são intensas

Metonímia
Minguantes = depressivas, passam por fases de humor delicado

Antítese:
feias - charmosas
sol -lua
noite - dia
simplicidade - vaidosa


Quanto ao conteúdo


O poema homenageia as mulheres mostrando certas particularidades que, mesmo não sendo características de todas, mostra um retrato da classe de modo geral, suavizado as falhas e enfatizado as virtudes. Nesse poema, a figura da mulher é associada a elementos da natureza que tem força e beleza como sol, mar, lua e estrelas. Ao comparar a mulheres com a lua, em suas fases, refere-se às variações de humor pelas quais passam as mulheres em dias de estresse ou mesmo mensalmente durante o período menstrual, quando se torna depressiva, delicada, melindrosa ou agressiva, pronta para chorar por qualquer razão. Encerra estabelecendo a soberania da mulher quando insinua que não se pode existir sem ela.


Texto enviado por 
Jucymário de Lima