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terça-feira, 6 de junho de 2017

Poema em Linha Reta

Poesia de Fernando Pessoa
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



Pessoa, Fernando.
Obra Poética.
Cia. José Aguilar Editora;
 Rio de Janeiro, 1972, p. 418.
Poeta português foi, também
filósofo, crítico literário,
comentarista político,
tradutor, astrólogo
e empresário.

domingo, 14 de maio de 2017

M ã e

poesia de Margarete Solange

Mamãe
É um Beija-flor
E eu a flor
Que alguém
Plantou
No seu jardim.
Ai de mim
Sem ela!

Ela me beija
Com dulçor
E eu sou feliz
Por seu amor.
Mulher bela
E preciosa,
Como viver
Sem ela?











Margarete Solange.
Inventor de Poesia Infantil
 2ª edição, 
Sarau das Letras,
2016, p. 75
Ilustração Isaura Barbosa

terça-feira, 25 de abril de 2017

Leon

Poesia de Margarete Solange



Antes de ser ilustrador
E encantar a garotada,
Leon era uma singela
Bolsinha esperando
Ser comprada.
Logo que Marina o viu,
Não conteve a paixão.
Era um leãozinho magrelo,
Desnutrido e cabeção,
Tinha uma juba assanhada,
Não tinha beleza nem nada,
Mas ela ouviu seu coração.
  
Marina que inventava histórias,
Com o seu lápis na mão,
Transformou a singela bolsinha
Num inteligente fantoche-leão.
Mesmo sendo uma criança
Ele sabia responder
A qualquer pergunta difícil
Que alguém quisesse fazer.
Desenhando ou pintando,
Leon Fernandez era bom
Em tudo que fazia,
Era dez em talento,
Dez em sabedoria.
Conquistou o mundo inteiro
Com a sua simpatia.


Conheceu Aninha
E por ela se encantou,
Mas para surpresa de todos
A esperta personagem
Desejava aproveitar-se
Do talento do ilustrador.
Com lágrimas nos olhos,
Fingindo emoção,
Procurou o artista
E fez a sua petição.
Quando ele a desenhou
Alta, esbelta e bonita,
Ela abriu seu coração:
Declarou que o amava
Como se fosse um irmão.






Desapontado, o Leão
Resolveu cortar a juba
E deixá-la bem lisinha,
Na intenção de ficar gato,
Para conquistar Aninha.
Com o tempo percebeu
Que sentia por ela
Grande admiração.
Apesar das diferenças,
Tornaram-se amigos
E viveram em comunhão.
Promovido a repórter
E apresentador
Do Literário Bloguinho,
Inteligente e encantador,
Agradou a mulherada
E tornou-se um conquistador.



Sendo um bravo guerreiro,
Planejava e alcançava sempre
Tudo o que queria...
Então desejou ser gente
Nem que fosse por um dia.
Com ajuda de Marina,
A narradora madrinha,
Sentindo-se fenomenal,
Saiu da literatura
E veio ao mundo real.
Desde então o leão-menino,
Talentoso e capaz,
Decidiu não ser fantoche,
E transformar-se num rapaz.









Margarete Solange,
Inventor de Poesia Infantil,
Sarau das Letras,  2ª edição, 
2016, p. 123-125
Ilustração; Isaura Barbosa





Ilustração de Isaura Barbosa










quinta-feira, 2 de junho de 2016

A n i n h a

poesia de Margarete Solange



No tempo em que a raposa
Era amiga da galinha,
E a vaca tossia
E ainda dava uma rodadinha,
Existiu na terra
Uma minhoca engraçadinha,
Alegre e exibida,
Que se chamava Aninha.
Fazia amigos por toda parte,
Vivia de bem com a vida.
Mesmo não tendo beleza,
Era muito convencida.

Ao descobrir que lagarta
Se transforma em borboleta,
Muito esperta a minhoquinha
Arranjou uma caneta,
E sem que alguém visse
Escreveu com convicção
Que sua mãe era uma lagarta
e seu pai um lagartão.
Na hora de mudar e
Se transformar em borboleta,
Aninha, de novo, apoderou-se da caneta
E modificou a sua história,
Que já estava prontinha,
Dizendo que se transformara
Numa linda menininha.

Vaidosa e exibida
Pediu ao ilustrador
Que a fizesse colorida,
Com roupa extravagante,
Corpo sob medida,
Sapatos cor-de-rosa,
Elegante e divertida,
E assim Leon a fez
Do jeito que ela sonhou.

Depois a narradora,
Que se chamava Marina,
Percebendo a mudança,
Encantou-se com a menina.
Deu-lhe nome e sobrenome
E até uma profissão.
Anita Dicaprio
Tornou-se uma estrela,
Não de televisão,
De um blog literário,
Onde muito faladeira
Dizia o que queria
Recheando com besteira.
A super-Aninha,
Não se acha, tem certeza.
Foi assim que ela surgiu
E conseguiu sua beleza.
Hoje, famosa e admirada,
É favorita dos adultos,
Amiga da garotada.

Sentindo-se cansada
De seu exibimento,
Estudou muitos assuntos
E ganhou conhecimento.
Quis ser calma e comportada.
Não encontrando a caneta
Para modificar sua história,
Pediu ajuda a Marina.
A narradora madrinha,
Não possuía varinha
Nem era fada encantada,
Mas tinha grande talento
E levava em suas mãos
Um poderoso instrumento,
E com ele escrevia
Fosse noite, fosse dia
A história que quisesse.

Ao anunciar em público
Aquela decisão,
A resposta inesperada
Provocou grande emoção:
Seu jeito arrebatado
Espontâneo e sincero
Cativava os fãs
Por encanto e por mistério.
Seus amores e amoras,
Do ancião à criança,
Todos se agradavam dela,
Ninguém desejava mudança.
E foi assim que a Super-Aninha,
Com grande satisfação,
Percebeu que se exibir
Faz parte da profissão.




Margarete Solange,
Inventor de Poesia Infantil, 2ª edição
Sarau das Letras, 2016, p. 120-122
Ilustração; Isaura Barbosa



Ilustração de Isaura Barbosa










domingo, 13 de março de 2016

Artistas que retratam a beleza da Mulher

Simplesmente Mulher

                                                          poesia de Margarete Solange
                                                          fotografias de Felipe Galdino

Uma mulher... 
Poesia para os olhos, 
Delicada, gritante.
Afaga e inquieta a alma. 
Criação do artista que pinta com palavras,
Que compõe versos no barro poético.
Uma mulher é uma composição buliçosa, 
Sem rima, sem métrica, sem certezas.
Inspirada, ambígua, complexa!
Uma sucessão de metáforas, 
Uma alegoria.
Despida de regras: 
Solta, livre... Nua, pura, 
Nem pecadora, nem santa: sem lógica! 
Verdadeira ou duvidosa. 
Bela... Enganosa! 
Sem querer, se faz ser...
Se impõe em versos,
Sendo o inverso, o universo...
Uma mulher é uma pintura única, rara!
Que não se imita, que não se explica.
Em preto e branco ou em cores...
Esplendorosa!
Submissa, contraditória, sagaz! 
Antiga, moderna, atemporal.
Perfeita ou imperfeita: grandiosa!
Arte dominadora e indomada,
Obra prima universal.
Uma mulher é uma mulher
E não precisa ser mais nada!



































Fotografias de Felipe Galdino