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sexta-feira, 9 de maio de 2014

O Leão

               Poesia de Vinícius de Moraes

Leão! Leão! Leão!
Rugindo como um trovão
Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!

Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda.

Leão longe, leão perto
Nas areias do deserto.
Leão alto, sobranceiro
Junto do despenhadeiro.
Leão na caça diurna
Saindo a correr da furna.
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus que te fez ou não?

O salto do tigre é rápido
Como o raio; mas não há
Tigre no mundo que escape
Do salto que o Leão dá.
Não conheço quem defronte
O feroz rinoceronte.
Pois bem, se ele vê o Leão
Foge como um furacão.

Leão se esgueirando, à espera
Da passagem de outra fera . . .
Vem o tigre; como um dardo
Cai-lhe em cima o leopardo
E enquanto brigam, tranquilo
O leão fica olhando aquilo.
Quando se cansam, o Leão
Mata um com cada mão.


Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!

Fonte: Vinicius de Moraes. A arca de Noé
Companhia das letrinhas, 2003

Vinícius de Moraes 

Marcus Vinicius da Cruz e Mello Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 1913. Foi diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro. Grande poeta, essencialmente lírico, o poetinha (como ficou conhecido) notabilizou-se pelos seus sonetos. Boêmio inveterado, era também considerado grande conquistador, casou-se por nove vezes ao longo de sua vida. A Escola literária na qual se classifica é o Modernismo.

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