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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Retrato

poesia de Cecilia Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração
que nem se mostra. 

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?
.

Fonte:Cecilia Meireles. 
Antologia Poetica.
L&PM, 2010
.
A grande Poeta Cecília Benevides de Carvalho Meireles ou tão somente Cecília Meireles, nasceu em 7 de novembro de 1901, no Rio de Janeiro. Órfã ainda criança, foi educada pela avó materna. Professora primária formada em 1917, dedicou-se ao magistério. Em 1919 publicou seu primeiro livro de poesias, Espectros, de tendência parnasiana. A partir dos livros Viagem (1939) e Vaga Música (1942), alcançou a maturidade literária, inspirando-se principalmente no simbolismo. Seu estilo, extremamente pessoal, dificulta a classificação de sua obra em uma escola literária específica, no entanto, o nome dessa ilustre poeta fulgura entre os principais autores do modernismo. Lírica, intimista e mística, abordou os temas da precariedade da vida, do amor, da morte e da fugacidade do tempo. Morreu no Rio de Janeiro, em 9 de novembro de 1964.

4 comentários:

  1. Tem seus Motivos...
    Nem alegre nem triste...
    Grande Poeta!

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  2. Porque esse povo só escreve coisas tristes?

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  3. Porque quando estão alegres saem para se divertir com os amigos e não têm tempo de escrever. Quando estão tristes então não saem de casa, se escondem dos amigos e trancados no quarto, escrevem a poesia que nasce das entranhas dos poetas.

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    Respostas
    1. Legal seu comentário, Marina, gostei.
      Concordo que é quando se está triste é que se escreve as mais belas coisas.

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