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sábado, 27 de março de 2010

NA TRISTEZA FAÇO VERSOS - crônica

de Margarete Solange
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Já ouvi algumas críticas às minhas poesias porque elas são tristes. A verdade é que vivo as alegrias e registro as tristezas. Acho que muitos são os que assim procedem, já que as poesias contentes geralmente são mais difíceis de acontecer. Parece que o sofrimento fascina mais que a felicidade! E, além disso, na alegria estou ocupada demais para escrever. Sou melhor recebida pelas pessoas quando estou feliz e despreocupada. Assim sendo, tenho que aproveitar esses momentos agradáveis divertindo-me em companhia dos que me cercam. Quando os momentos de tristeza e preocupação desabam, então me recolho e escrevo “desabafos”, um montão de palavras, frases e pensamentos que depois tento lapidar, transformando-os em poesias. E, se apenas na tristeza escrevo versos, dou graças a Deus porque esses escritos são bem poucos comparados ao muito que já vivi.
Outro motivo que me faz escrever coisas tristes é que as pessoas alegres não precisam de consolo. No entanto, os carentes, solitários, melancólicos, quando lêem uma poesia sentida, magoada, imediatamente acham que são versos lindos e se alegram por saberem que outras pessoas se parecem com eles porque sofrem e choram.
Acredito que fazemos a poesia melhor quando falamos do que fere e lateja, daquilo que queremos ter, mas não temos, nunca tivemos. A saudade é mais sentida e a dor mais doída. Isso emociona, toca os corações, e eu acho que as poesias devem ser feitas principalmente para aqueles que precisam delas. As pessoas encontram contentamento em saber que seu sofrimento tem nome. Assim, elas passam a sentir a poesia de seus próprios pesares.
Quanto às críticas, elas vão existir de qualquer forma, é natural das pessoas perceberem montanhas de defeitos quando se trata de um trabalho que não foi feito por elas próprias. Faço isso com os trabalhos alheios também, converso e critico até mesmo os grandes escritores enquanto leio suas obras.
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Fonte: Margarete Solange. Um Chão Maior. Santos Editora, 2000.
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5 comentários:

  1. Você não é diferente dos demais autores quando fala que as melhores poesias são aquelas que surgem em meio a tristeza.Já li muita poesia que não entendia nada,acho que o autor escrevia nos momentos de bobeira,acho horríveis,não dizem coisa com coisa e muitos ainda ganham prêmio,nunca vou entender.As suas são tudo que o leitor quer ouvir ou falar e não sabem como.
    Continue assim ou melhor.

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  2. Concordo com Nadjane. Tem gente que ganha prêmio com poesias sem sentido. Concordo com o pensamento da autora também, ela expressa o sentimento das pessoas, e isso quando as pessoas lêem entendem e se identificam.

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  3. É verdade, geralmente as poesias são melancólica. E parece que as poesias assim são as mais bonitas.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. É bem dos poetas essa coisa de arrancar versos dos momentos de tristeza. Dessa forma o poeta se torna porta-voz de muita gente.

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