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terça-feira, 15 de junho de 2010

ESCRITORA DE VERSOS - Posfácio

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de Margarete Solange
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Acredito que Deus me deu por herança a capacidade de criar, de esculpir coisas usando as palavras. Escrevo romances, contos e também sou escritora de versos. Tenho a sina dos poetas: uma solidão interior, inexplicável, mas não me sinto poeta. Cecília diz: “não sou alegre, nem sou triste: sou poeta”, eu digo o contrário: sou alegre, sou triste, mas não sou poeta. Imagino o poeta como um ser especial: aparência singela, meiga, frágil; manso e humilde de coração, pacífico sempre! Diferente das pessoas comuns, uma espécie de sacerdote inspirado de maneira sobrenatural para a missão de fascinar com versos cheios de sublimidade, musicalidade e beleza. Ser universal, cujo nome não tem gênero: é somente poeta, seja homem ou mulher. E esse ser, ao falar, assume o lugar de qualquer pessoa, não importa sexo, idade, nação ou época.
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As pessoas têm curiosidade de saber como as poesias surgem. Perguntam se elas são sentimentos verdadeiros ou obra de ficção como a prosa. Alguns acreditam que surgem tão somente trazidas pela inspiração. Quando me perguntam como surgem as poesias, de bom grado respondo. Escrever em versos envolve inspiração, realidade e ficção também. Já passei para o papel alguns versos que simplesmente surgiram em minha mente, de repente, do nada. Não sei explicar direito por que eles resolvem surgir em momentos em que estamos melancólicos ou passando por crises existenciais. Existem versos que não são inspirados, são trabalhados pas-so a passo como acontece na prosa. Isso não quer dizer que não são sentimentos verdadeiros: são, porque um poeta não mente... Se contradiz, mas realmente sente o que escreve, embora, por vezes, não esteja tratando de sua própria dor e emoções.
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Dificilmente saio desacompanhada de lápis e papel, pois nunca sei quando vão surgir idéias fervilhando em minha mente, querendo escapar de dentro de mim. Isso muita vezes acontece nas situações mais inesperadas, assim sendo, se não estou preparada, tenho que arranjar rapidamente meu materi-al de trabalho e fugir por alguns momentos para escrever o que está martelando em minha mente, ou magoando meu co-ração.
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Costumo ficar atenta para descobrir sobre o que as pessoas buscam encontrar nas poesias. Já escrevi várias vezes por encomenda para pessoas que queriam dizer algo para alguém e não sabiam como fazê-lo. Por outro lado, quando ouço os jovens comentando suas paixões, ilusões, angústias e contentamento, sempre existem histórias parecidas com momentos que passei ao longo de minha vida, isso faz ressuscitar sentimentos que pareciam não ter mais nenhuma importância. Assim, falo de dores e amores que por vezes não foram completamente meus.
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Por vezes, fico grávida de temas encomendados ou não. Abortei alguns ou me surpreendi quando alguns deles nasceram de repente. Já dei à luz a versos prematuros que me deram trabalho para se formar. Alguns versinhos desajeitados, coitadinhos, jamais agradaram, nem a mim, nem a ninguém. O problema é que sentimos pena de rejeitar completamente algo que saiu de nossas entranhas. Quando não foi feito por nossas mãos, não hesitamos em criticar e classificá-los como sendo indignos de serem publicados. Um professor de literatura disse uma certa vez que até mesmo os poetas considerados os melhores, conhecidos em todo mundo, além das boas e belas poesias, escrevem e publicam algumas bobagens. Concordo com esse crítico. E sei também que às vezes o que não é útil ou belo para alguns pode ser interessante para outros.
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Antes eu escrevia porque sentia necessidade de desa-bafar. Agora, quando escrevo, penso naqueles que vão ler e almejo tocá-los. A partir de conversas com os leitores ao longo desses anos, creio que já não escrevo somente o que sinto, mas o que aflige e emociona muita gente que se ver refletida nas palavras que saem, ora de minha mente, ora do meu coração.
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Em 29.03.03
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Fonte: Margarete Solange. Inventor de Poesia: Versos Líricos. Queima-Bucha, 2010.
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6 comentários:

  1. Bravos!!! Ficou magnífico. Certeza. Quando um poeta escreve, escreve do profundo de seu coração, dá melhor de si e escreve aquilo que as pessoas querem ler. Valeu, prima, gostei. Que talento magnífico. Deus lhe abençoe e lhe conserve sempre assim. Quando você ficar ainda mais famosa não se esqueça de mim.

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  2. De fato escrver é um dom, um talento vindo de Deus. E quando esse dom se alia ao desejo e amor pelo arte de escrever, aí o trabalho fica maravilhoso. Parabéns autora pelo excelente artigo.

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  3. Maria e Jorge Morais falaram tudo. O que falar?
    Excelente artigo! Muita gente agora sabe realmente como é que autores escrevem.É complicado é coisa de Deus.
    Parabéns!

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  4. Nadjane to nessa com vc, nem tenho tbm palavras para falar. Muito bom o Posfácio, assim como tudo que a autora faz, e como ela mesmo diz que "acreditar que escrever é uma herança dada por Deus", ai podemos entender o pq dela escreve tão bem.

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  5. Obrigada pessoal por todas essas palavras carinhosas. Saber que vocês apreciam meus escritos me deixa cheia de contentamento. Conheço bem de perto todos vocês e sei que são pessoas sinceras de bom coração. Por isso, recebo os elogios ao meu trabalho como sendo verdadeiros, e não somente palavras ao vento. Como tenho dito, escrever é um ofício. Assim sendo, ao escrever o escritor trabalha para servir a alguém, é subordinado. Ora, se trabalhamos para alguém e o fazemos com zelo e seriedade, receber elogios é gratificante é recompensador. Antes de publicar meus livros em 2000, houve um tempo em que pensei em não publicá-los de modo algum, porque achava que já havia no mundo escritores demais, e que o que escrevia não ia acrescentar nada para as pessoas. Quando fui readaptada em 1995, passei a trabalhar como bibliotecária emprestando os poucos livros da biblioteca do colégio em que trabalhava. Tive, então, a rica oportunidade de conversar com adultos e crianças sobre suas leituras. Resolvi emprestar para eles meus escritos que estavam arquivados no computador. Desde então, achei que eles tinham utilidade. Adorava ouvir as pessoas comentando sobre minhas poesias, histórias e personagens. Queridos, leitores, vocês são peças fundamentais nas minhas obras. Reconheço e agradeço de coração.

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  6. Margarete, filha, vc tem um talento fantástico. Fico encantada de ter uma filha escritora que escreve coisas lindas. Deus te abençoe mais e mais.

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